Avanço na Astrofísica: Ondas Gravitacionais existem, e agora? O desafio proposto por Webber há 30 anos foi atingido e professor do laboratório que detecou ondas conta sobre o trabalho realizado

No dia 14 de setembro de 2015, às 06:50:45 (horário de Brasília), dois detectores do bservatório de Ondas Gravitacionais por Interferometria Laser (LIGO) observaram, simultaneamente, um sinal de ondas gravitacionais bem maior do que todos já observados.

O sinal das ondas coincide com a fusão de dois buracos negros: pois variou em frequência de 35 Hz até 250 Hz, com uma amplitude de deformação máxima de 1.0 x 10^(-21). Presume-se que essa frequência, de acordo com a relatividade geral, é a de um par de buracos negros espiralando um em direção ao outro, seguida do ressoar do buraco negro resultante.

Toda essa movimentação aconteceu aproximadamente 1.3 bilhões de anos-luz distantes. A energia irradiada na forma de ondas gravitacionais foi equivalente a 3 massas solares.

E como eles sabem que eram ondas?

A alta precisão da tecnologia desenvolvida no Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferometria Laser (LIGO) é fruto de 30 anos de trabalho intenso. O trabalho teve início na proposta de Weber em 1960, e então alguns pesquisadores perceberam que se poderia fazer a detecção a laser.

A detecção de dezembro de 2016 contou com equipes separadas, compostas por mais de 1.300 pessoas. O sinal detectados eram então analisados por diversas equipes, que comparavam os resultados. Nesse caso da detecção real das ondas gravitacionais, o sinal era 24 vezes maior que o nível de ruído do aparelho e foi descoberto três minutos depois, contou o Prof. Odylio Denys Aguiar, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em entrevista ao programa Ciência às 19h .

A partir de agora, acredita-se que a cosmologia e astrofísica ganham novos rumos. Como a onda não propagou sinal eletromagnético, é como se fosse um som que se propaga no vácuo. “Você tem aí um som do evento e agora analisaremos o universo, não apenas olhando o que está acontecendo, mas também ouvindo. E isso é uma nova astronomia. É uma astronomia de ondas gravitacionais que vai causar uma revolução enorme no conhecimento que temos sobre o universo”, contou o professor.

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