Brasileira vai à final de Olimpíada de Engenharia Nuclear

Já noticiamos aqui no blog sobre a estudante de engenharia nuclear Alice Cunha da Silva quando ela estava na semifinal da da Nuclear Olympiad, sendo ela à única representante das Américas presente na semifinal. Felizmente, o vídeo “Nuclear Saves Lives” e a dissertação publicados por ela passaram pela seleção e na próxima terça-feira (15) ela embarca para a Áustria, onde apresentará seu trabalho para os jurados que se reunirão no dia 17 na sede da Agência Internacional de Energia Atômica.

Alice durante III Semana de Engenharia Nuclear da UFRJ, em 2013
Alice durante III Semana de Engenharia Nuclear da UFRJ, em 2013

A estudante sempre foi uma aluna de destaque durante sua graduação engenharia nuclear, que está concluindo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em 2013, teve um trabalho selecionado para uma conferência de estudante da área nuclear realizada no Massachusetts Institute of Technology (MIT), promovida pela American Nuclear Society (ANS). Também foi uma das fundadoras da seção estudantil de engenharia nuclear latino-americana da ANS e estudou, através do Ciência sem Fronteiras no Departamento de Engenharia Nuclear da Pennsylvania State University, em 2014.

O trabalho da estudante, selecionado para a final é voltado para as aplicações médicas da engenharia nuclear abordando os radioisótopos e enfatizando como a ciência nuclear salva vidas.

“Foi interessante ver pessoas que não conheciam a área ficarem surpresas com as aplicações, pois não tinham ideia. Tiveram estudantes do ensino médio que me procuraram para saber como estudar essa área na universidade. Então o mais legal é despertar uma certa curiosidade sobre o assunto em pessoas que não tinham conhecimento sobre isso”, afirma Alice.

Atualmente, Alice trabalha na unidade brasileira da Westinghouse, atuando na área de core engineering e aguarda ansiosamente a posição do ministro de Minas e Energia Eduardo Braga sobre o futuro do Programa Nuclear Brasileiro, que permitirá a ampliação e desenvolvimento deste setor na indústria nacional.

“Tenho ficado feliz com a posição do ministro de apoiar novas usinas, mas uma decisão tem que ser tomada ainda”, diz. Porém, as perspectivas para os engenheiros nucleares no Brasil não são tão positivas: a maioria das oportunidades está no setor público – Eletronuclear, INB e CNEN – e não há previsão para abertura de concurso público.

Segundo a estudante, é importante divulgar o conhecimento sobre atividades nucleares de maneira mais abrangente, fazendo a sociedade compreender melhor as aplicações da engenharia nuclear para que seja possível tomar decisões mais bem fundamentadas:

“Quando a gente não conhece algo, pode ser contra sem entender bem. Hoje acho que no Brasil há muita gente contra a energia nuclear por falta de conhecimento. Ela não emite gases de efeito estufa e não depende de fatores sazonais, além de ter uma confiabilidade muito grande, então o país não pode ficar para trás nesta área. Se conseguirmos passar as informações corretas para a população, abrindo o debate, isso pode ajudar a mudar esse quadro”, conclui.

Com informações do Jornal do Brasil

Douglas Moura

Fundador do Engenharia Livre, engenheiro civil e programador. Procuro sempre compartilhar as melhores informações do mundo da Engenharia.
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