Foto: Douglas Moura/Engenharia Livre

Como a impressão 3D está prestes a mudar o mundo

A impressão 3D, está cada vez mais presentes na mídia e até mesmo na ficção. Mas o que realmente isso significa para nossas vidas?

Imagine o seguinte cenário: uma empresa (que vamos chamar de 2X – Produtos para jardinagem) fabrica cortadores de grama. Hoje a 2X importa diversos componentes de seus cortadores de grama da China e monta o seu produto final aqui no Brasil. A fornecedora chinesa só consegue fabricar os componentes utilizados nos cortadores de grama da 2X a um preço muito baixo pois fornece os mesmos componentes a centenas de empresas ao redor do mundo. Isso implica que, se a 2X quiser mudar algum componente dos cortadores de grana, seja para baratear o custo ou tornar o corte mais rápido e eficiente, ela dependerá da aprovação da fornecedora chinesa ou terá que arcar com os custos de introduzir este novo componente no mercado (algo como os 380 mil dólares que a Razer gastou para ter uma porta USB verde para seus laptops).

Agora, imagine se a 2X tenha uma máquina que possa construir este novo componente na própria fábrica da empresa, em qualquer formato e com uma grande gama de materiais diferentes. E ainda, que este componente, fabricado por esta máquina, possa ser testado diretamente, sem ser necessário enviar profissionais à fábrica chinesa para avaliar a qualidade do produto. Isso, meus amigos, é apenas uma fração do potencial da impressão 3D.

Mas o que é impressão 3D?

Também conhecida como manufatura aditiva, a impressão 3D é um conjunto de diferentes processos utilizados para criar um objeto tridimensional. Geralmente, utiliza-se um material maleável, que é depositado em camadas, de maneira contínua:

E porque isso é tão revolucionário?

Imagine que a sua empresa fabrique armações de óculos. Seus designers projetam novas armações e, ao pressionar uma tecla, a impressora 3D a fabrica, de modo que eles possam testar a nova armação em poucos minutos. Você, como dono da empresa, aprova esta nova armação e ao invés solicitar a sua produção à uma fábrica distante, provavelmente chinesa, você apenas envia a ordem de execução do projeto em impressoras 3D espalhadas pelo mundo, aproximando geograficamente o seu produto do seu cliente e economizando com os custos de logística e importação. Incrível, não?

O quão perto estamos de aplicar esta tecnologia no nosso cotidiano?

Muito, muito perto. A impressão 3D está sendo estudado e aplicada em diversos setores da indústria neste momento em todo o mundo, do ramo automobilístico ao ramo da construção civil e até mesmo espacial.

E o que acontece com o emprego das pessoas?

Essa sempre é uma grande preocupação, quando uma nova tecnologia é aplicada no setor produtivo, vide o movimento ludista que ocorreu na Inglaterra, entre outros países, no começo da Revolução Industrial, onde trabalhadores desempregados destruíam máquinas que substituíam seu trabalho. E por conta da nossa tecnologia, estamos passando hoje por um momento histórico muito parecido com o que ocorreu com estes trabalhadores no começo da Revolução Industrial.

A automação do trabalho é um cenário previsto por diversos especialistas para as próximas décadas. Em 2013, pesquisadores da Carl Benedikt Frey e Michael A. Osborne disseram que 47% do empregos do EUA estarão suscetíveis a automação até 2050. A mesma visão é compartilhada por Moshe Vardi, professor do Departamento de Ciência da Computação da Rice University:

Máquinas poderão substituir 50% dos empregos nos próximos 30 anos.

– Moshe Vardi, professor na Rice University

Toda essa mudança pode até mesmo alterar a relação que nossa sociedade tem com o trabalho, mas isso é assunto para outro artigo.

E você, qual a sua opinião sobre a impressão 3D?

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