É possível beber água reutilizada? Como o abastecimento urbano pode se beneficiar da água de reúso

Em tempos de vai e vem entre crises no abastecimento de água, pesquisadores estão atrás de uma solução eficiente e sustentável: transformar água poluída em 100% potável.

Mas isso já não existe no Brasil? Até agora, apenas contamos com estações de tratamento que tratar a água até o estágio em que se tornam água de reúso não potável, ideais para descargas de banheiros, jardinagem, caldeiras industriais, entre outros.

O projeto da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa), em parceria com o Centro Internacional de Referência em Reúso de Água (Cirra), da Universidade de São Paulo (USP), é o primeiro no país a buscar transformar a água de reúso não potável em potável. A Sanasa foi pioneira no sistema de membranas de ultra filtração.  Com poros de 0,01 a 0,1 micrômetros de diâmetro, elas podem reter partículas sólidas mil vezes menores que fios de cabelo, como vírus e bactérias.

O novo sistema será ultravioleta, alimentado com a água de reúso da Usina Capivari II. O projeto está em escala piloto, ainda em testes em laboratório. Pretende-se criar um esquema de escala real de reúso potável, com capacidade para o tratamento de 700 litros de esgoto por hora.

 

Em entrevista para a Revista FAPESP, o professor Ivanildo Hespanhol contou que o projeto busca mostrar ser possível produzir água de reúso potável, e que a legislação brasileira deve se preparar para isso, já que a Portaria de Nº 2914 DE 12/12/2011201 do Ministério da Saúde não contempla as necessidades de uma produção diferente.

“Hoje, a água de reúso representa menos de 1% do consumo nacional de água”, observa Hespanhol. A água de reúso potável pode ter dois destinos: ir diretamente para as redes de distribuição das casas, ou para mananciais, sendo depois destinadas às redes de abastecimento.

Mariana Caires

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