Eficiência energética é o “primeiro combustível”

Vivemos numa época em que as mudanças climáticas nos obrigam a procurar soluções urgentes acabarmos com a emissão de gases do efeito estufa (GEE) antes que causemos danos graves ao nosso planeta e à sua população humana, animal e vegetal. O uso consciente da água, energia e demais recursos torna-se crucial, mas infelizmente, ainda somos acomodados quanto a questão de racionalização do uso de recursos naturais. Parafraseando Edward Borgstein durante o 8º Simpósio Brasileiro de Construção Sustentável:

A melhor tecnologia para reduzir o consumo é a crise.

E é exatamente isso que acontece conosco. Nós só trocamos as antigas e ineficientes lâmpadas incandescentes (5% da energia elétrica consumida é transformada em luz visível) para as fluorescentes (22% da energia elétrica consumida é transformada em luz visível) por conta da crise energética de 2001. Nós só passamos a nos preocupar com economia de água agora, por conta da atual crise de abastecimento na região Sudeste do Brasil. Este cenário precisa mudar, pois nós todos somos responsáveis pela preservação do meio ambiente e pelo desenvolvimento de uma sociedade sustentável. E para desenvolver esta sociedade devemos procurar uma padrão de vida radicalmente diferente da referência atual, os Estados Unidos. Se todas as pessoas do mundo passassem a consumir recursos como um cidadão americano, precisaríamos de 4,5 planetas iguais à Terra para suportar este consumo gigantesco. Infelizmente ainda não encontramos nenhum outro planeta habitável, muito menos formas de chegar à estes planetas em um período razoável de tempo.

Não temos planeta suficiente para suportar um consumo de recursos global equivalente ao dos Estados Unidos.
Não temos planeta suficiente para suportar um consumo de recursos global equivalente ao dos Estados Unidos.

Uma grande parte da culpa pela nossa falta de interesse na racionalização de recursos vem do governo, que não se preocupa com questões de eficiência energética em âmbito nacional. Nossa rede de distribuição de energia elétrica não é inteligente e integrada, além de ainda usarmos um paradigma de produção de energia ultrapassado, onde a produção é feita de forma centralizada e a distribuição feita de forma radial. Países como a Alemanha, por exemplo, investem na micro geração de energia elétrica pelos próprio consumidores com painéis solares, onde todo excedente de produção é comprado pela companhia de distribuição de energia elétrica. Redes inteligentes (também chamadas de “smart grids”) são mais resilientes e confiáveis, e é para este tipo de rede que os países desenvolvidos estão migrando. Mas nenhuma medida será suficiente se a população não mudar seus hábitos de consumo.

Panorama da Hidrelétrica de Itaipu à noite. Foto: Alan Franco
Panorama da Hidrelétrica de Itaipu à noite. Foto: Alan Franco

Para vocês terem uma ideia, segundo Rodrigo Aguiar, presidente da Abesco, poderíamos economizar o equivalente à metade de toda a produção da Usina de Itaipu de um ano. Isso significa que poderíamos ter 48 terawatts a mais na rede, disponível para consumo. Toda essa energia se perde por conta do uso de equipamentos elétricos antigos e ineficientes, como geladeiras, ar-condicionado, ventiladores, etc. Ainda existe muito espaço no Brasil para implantação de políticas de racionalização do uso de energia.

Conforme o último Relatório do Mercado de Eficiência Energética publicado pela IEA (International Energy Agency), eficiência energética é o “primeiro combustível”.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.