O engenheiro do século XXI

Nós já falamos aqui sobre as 10 características mais valorizadas em engenheiros, mas em face ao momento atual, em um mundo globalizado, onde as informações são transmitidas rapidamente e a internet mudou o modo como nos relacionamos com as pessoas, como deve ser o engenheiro do século XXI?

Para responder a esta pergunta devemos entender os problemas mais urgentes do nosso século. Em 1987 a ONU publicou um documento chamado Nosso Futuro Comum, também conhecido como Relatório Brundtland. O documento mostra como o mundo deve trabalhar junto que a humanidade possa se desenvolver de maneira sustentável. E para promover este desenvolvimento sustentável, uma série de medidas devem ser tomadas:

  • Limitação do crescimento populacional;
  • Garantia de recursos básicos (água, alimentos, energia) a longo prazo;
  • Preservação da biodiversidade e dos ecossistemas;
  • Diminuição do consumo de energia e desenvolvimento de tecnologias com uso de fontes energéticas renováveis;
  • Aumento da produção industrial nos países não industrializados com base em tecnologias ecologicamente adaptadas;
  • Controle da urbanização desordenada e integração entre campo e cidades menores;
  • Atendimento das necessidades básicas (saúde, escola, moradia).

Observe que em todos os tópicos acima, engenheiros (civis, ambientais, elétricos, de produção, etc.) exercem um papel central.

Mais que isso, as empresas devem assimilar o conceito de desenvolvimento sustentável, encontrando novas formas de produzir sem degradar o meio ambiente, alinhando processos e tecnologia com a preservação ambiental.

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Mata Atlântica destruída no Rio de Janeiro para extração de solo para construção civil.

Mas como vamos chegar a esse modelo de desenvolvimento sustentável? Engenheiros de diversas áreas são responsáveis por tomar decisões que afetam diretamente os tópicos citados no Relatório Brundtland. Este mesmo relatório também aponta as medidas que devem ser tomadas para a implantação de um programa minimamente adequado para o desenvolvimento sustentável. Perceba que todas as áreas abaixo se relacionam diretamente com a Engenharia:

  • Uso de novos materiais na construção;
  • Reestruturação da distribuição de zonas residenciais e industriais;
  • Aproveitamento e consumo de fontes alternativas de energia, como a solar, a eólica e a geotérmica;
  • Reciclagem de materiais reaproveitáveis;
  • Consumo racional de água e de alimentos;
  • Redução do uso de produtos químicos prejudiciais à saúde na produção de alimentos.

Assim, o desenvolvimento sustentável busca conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental.

O papel dos jovens engenheiros no século XXI é implementar estes conceitos em suas respectivas áreas de atuação. Nossa profissão tem um papel crucial para que o desenvolvimento sustentável seja amplamente implementado no mundo. Clientes e empresas não valorizam conhecimento técnico tanto quanto a capacidade de liderança e a habilidade para conviver com mudanças. E esta é uma época de mudanças, onde precisamos de líderes capazes de mudar o nosso atual modelo econômico, de modo que passemos a atender às necessidades da nossa geração sem comprometer as gerações futuras com nossos erros e descuido com o meio ambiente.

Combater a falta de saneamento básico é um dos desafios a serem enfrentados (e erradicados) neste século. A imagem mostra um esgoto a céu aberto no Distrito Federal. Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil
Combater a falta de saneamento básico é um dos desafios a serem enfrentados (e erradicados) neste século. A imagem mostra um esgoto a céu aberto no Distrito Federal. Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil

Muito do que falei neste artigo foi baseado na palestra “Engenheiro do Futuro”, ministrada pelo engenheiro civil Márcio de Almeida Pernambuco durante o VI encontro estadual do CREA-SP Jovem. Ainda segundo o engenheiro Pernambuco, os jovens engenheiros “[devem] complementar a escola com a experiência de vida, o voluntariado, a curiosidade e a pesquisa. Ser autodidata é fundamental para o crescimento de um engenheiro, aliás não só para quem esta se formando agora, mas para a vida toda”.

E você, estudante ou jovem engenheiro, está disposto a cuidar do nosso pálido ponto azul? Deixe sua opinião nos comentários.

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Saiba mais: Moraes, Maria Candida. O engenheiros dos novos tempos e as novas pautas educacionais. Disponível em http://www.ub.edu/sentipensar/pdf/candida/ingeniero_novos_tempos.pdf.

Douglas Moura

Fundador do Engenharia Livre, engenheiro civil e programador. Procuro sempre compartilhar as melhores informações do mundo da Engenharia.
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