ABL: uma saída mais verde e resistente para a indústria de plásticos Termoplástico com 50% de matéria-prima renovável tem desempenho superior a concorrente derivado do petróleo

O amortecedor do seu carro provavelmente é feito de um polímero termoplástico moldável chamado ABS (acrônimo para acrilonitrila butadieno estireno). Com um bom desempenho estrutural, ele também é utilizado em tubos de ventilação, capacetes, utensílios de cozinha, blocos de Lego e diversos outros produtos. Apesar de todas essas vantagens, o ABS é feito de produtos químicos derivados do petróleo.

Mas pesquisadores do Oak Ridge National Laboratory, nos Estados Unidos, criaram um termoplástico com desempenho até 10 vezes superior ao ABS substituindo o estireno por lignina, um polímero que, junto com a celulose, forma as células das plantas. Com isso, eles eliminaram o uso de solventes do processo de produção que interliga partes iguais de lignina dispersa em nanoescala numa matriz de borracha sintética. O resultado é um material dúctil que pode fundido e moldado como o ABS, mas com um desempenho superior: o ABL (acrônimo para acrilonitrila butadieno lignina). Os resultados, publicados na revista Advanced Functional Materials mostram que este novo termoplástico tem uma matéria-prima mais barata e traz uma produção mais limpa para diversas manufaturas.

O novo termo plástico pode ser fundido por até três vezes sem perder suas propriedades originais e ainda ser reciclado posteriormente, aumentando seu ciclo de vida.

Partes iguais lignina e borracha nitrílica sintética são aquecidos, misturados e extrudidos para dar um termoplástico superior para automóveis e outros produtos de consumo. Créditos: Oak Ridge National Laboratory, U.S. Dept. of Energy/Mark Robbins
Partes iguais lignina e borracha nitrílica sintética são aquecidos, misturados e extrudidos para dar um termoplástico superior para automóveis e outros produtos de consumo. Créditos: Oak Ridge National Laboratory, U.S. Dept. of Energy/Mark Robbins

A lignina pode ser obtida dos rejeitos de biomassa da indústria de papel e celulose. Segundo os pesquisadores, a lignina é um dos subprodutos menos utilizados comercialmente.

O projeto ainda está em desenvolvimento e o objetivo agora é descobrir as possível aplicações do material e até mesmo incluir mais materiais renováveis na sua composição. Um dos objetivos é estudar o comportamento do ABL em conjunto com compósitos reforçados por fibras de carbono.

O estudo completo, “A New Class of Renewable Thermoplastics with Extraordinary Performance from Nanostructured Lignin-Elastomers”, está disponível aqui: http://dx.doi.org/10.1002/adfm.201504990

Com informações de ORNL

Mariana Caires

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