Uma cidade inteira como laboratório para novas tecnologias A empresa Pegasus Global Holdings quer construir uma cidade inteira no meio de um deserto no estado americano do Novo México para testar tecnologias que tornarão as cidades mais inteligentes

Imagem: Pegasus Global Holdings/Divulgação

Um projeto ousado está sendo desenvolvido no meio do deserto do estado americano do Novo México, nos arredores da cidade de Las Cruces. A um custo de 1 bilhão de dólares, 40 km2 e capacidade para 35 mil habitantes, a CITE (Center for Innovation, Testing and Evaluation ou Centro para Inovação, Teste e Avaliação) será uma cidade fantasma – ninguém morará lá. Pelo contrário: a cidade servirá como um grande laboratório para que empresas de todo o mundo possam testar novas tecnologias para cidades como sistemas inteligentes de transporte, geração alternativa de energia, redes inteligentes de distribuição de energia, telecomunicações, desenvolvimento de recursos e segurança.

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O grande objetivo do empreendimento é fornecer um ambiente de testes em larga escala, em condições realistas “onde ninguém irá se machucar”, explica Bob Brumley, diretor da Pegasus. A empresa planeja começar a construção ainda em 2015, tendo a cidade pronta entre 2018 e 2020.

“Será um verdadeiro laboratório sem as complicações e os problemas de segurança associados com moradores”, diz Brumley. “Aqui você poderá quebrar coisas e bater em coisas, aprendendo como elas funcionam, antes de levar seu produto ao mercado”.

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Brumley destaca alguns experimentos que podem ser feitos: empresas poderão testar frotas de caminhões controlados por uma rede centralizada sem fio. Tal experiência em uma via de verdade seria um pesadelo logístico – um problema que não ocorrerá na CITE. Outro experimento poderia envolver frotas de pequenos drones que entregam pacotes na porta das casas. Os pesquisadores também poderão fazer testes controlados que causem interferência na comunicação com os dispositivos – carros autônomos, por exemplo – para ver o que pode acontecer e preparar os seus dispositivos para lidar com estes problemas.

Críticos estão céticos quanto ao projeto da CITE. “Uma das coisas mais difíceis durante o desenvolvimento destas novas tecnologias é fazê-las conviver de forma segura com as pessoas, que são imprevisíveis e podem pular na frente de algo subitamente”, diz Reese Jones, sócio fundador da Singularity University, que ajuda organizações a aprender como novas tecnologias podem resolver os maiores desafios do mundo atual. Jones continua “um deserto não tem neve, ou chuva, ou árvores. Alguns dos problemas-chave são acerca da condições climáticas, ao invés de contornas objetos físicos fixos. O tempo de testes no deserto acabou há 10 anos atrás. Hoje nós precisamos de condições do mundo real”

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Richard E. Hanley, professor do New York City College of Technology, também critica a CITE. “Eles (os idealizadores de CITE) dizem ter um bom lugar, por exemplo, para testar carros com piloto automático, pois se houver uma falha não teríamos os mesmos riscos de um ambiente urbano. Mas até que isso seja testado em uma cidade real nós não poderemos saber o quão segura tal tecnologia é”, afirma Hanley.

Hanley continua: “Sem pessoas, um teste pode funcionar bem, mas o que acontecerá, por exemplo, quando uma tecnologia estiver ao alcance de adolescentes, por exemplo, buscando novos usos?”.

Mesmo assim, Hanley defende a CITE, dizendo que ela pode ser útil para estudos relacionados a infraestrutura, mas duvida da sua capacidade de “simulador urbano”.

Brumley defende a iniciativa, dizendo que os testes na cidade são um passo intermediários. “Ao final de seu ciclo de testes, novas tecnologias precisam de qualquer maneira serem testadas em áreas habitadas antes de ser aprovadas pelas autoridades. Somos um passo intermediário que não oferece riscos de segurança”, afirma.

Com informações de Wired e Inovação Tecnológica

Douglas Moura

Fundador do Engenharia Livre, engenheiro civil e programador. Procuro sempre compartilhar as melhores informações do mundo da Engenharia.
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